Minha vida é um faz de conta encantado,
onde eu fui menina bem pequenina entre lembranças,
birras, choros e gargalhadas.
Correndo entre os passeios do jardim da minha amada casa,
lembro do balouço branco abanando com o vento,
aquela menina sentada na cadeira de ferro,
com o livro sobre a mesa, sentindo-se a dona do mundo.
Lembro do dia em que fiz a minha comunhão,
na candura do meu vestido minha alma estava confusa,
sobre o medo entre o gélido frio que sentia por medo de errar em algo.
Não entendi ali o magnífico momento e comunhão com Deus,
coisas de criança distraída e teimosa.
Ainda lembro-me da casa,
toda em pedra,
pintada entre os desenhos da pedra em branco,
as escadas onde eu alegre colocava as velas acesas para a procissão passar.
Quanta vaidade eu sentia ali,
naquele mágico momento,
onde ninguém podia tocar só Deus e eu.
Lembro do jardim que mais tarde ajudava a cuidar,
lembro das roseiras,
do podar,
regar,
da exausta forma de tirar as ervas daninhas a sua volta.
Eram as rosas mais belas em seu tom vermelho aveludado,
nos presenteando com seu cheiro maravilhoso.
E as Primaveras,
como eram belas as Primaveras,
as flores desabrochavam e abriam deixando tudo repleto de pura beleza,
os passarinhos vinham alegres fazer seus ninhos nas aves dos frutos,
a tartaruga despertava do seu sono profundo e passeava entre canteiros e seu pequeno lago. Lembro-me de correr abraçando meu tio,
mostrando as borboletas que por ali passavam,
era tão belo,
eram tão variadas,
o céu azul,
a brisa que por ali passava nos refrescando a alma,
no silencio do mágico momento.
E as historia de vida e contos do cotidiano que meu amado avô contava debaixo da varanda, onde escutava feliz por estar ali,
mas sempre em minha alegria e curiosidade eu pedia mais uma historia a que falava das bruxas na encruzilhada.
Sorrindo e com aquele rosto meigo e paciente,
voltava a contar e contar e nunca me cansávamos de escutá-lo.
Um dia as nuvens vieram sobre a minha casa,
com aquela escuridão levando aqueles que eu mais amava e tive que crescer e deixar de sonhar acordada.
Entre trovões e tempestades,
entre lagrimas e desatinos,
escolhas eu cresci velozmente com o relógio do tempo sem nunca parar.
Quis duvidar do meu Deus,
gritei com ele sem medo,
impôs respostas e no meio da minha revolta por vezes devo ter o ofendido com arrependimentos constantes.
O Deus do meu coração perdoou,
mostrou-me o amor,
abençoou e eu caminhei de pazes feitas com ele, feliz.
Hoje voltei a minha casa antiga,
a casa de onde eu fui menina,
onde corri entre brincadeiras e gargalhadas e vi que nada, restou dela a não ser o lugar mágico que ainda eu senti ali naquele momento.
Nem jardim, nem o balouço,
nem as pedras são iguais,
a água sumiu, presa a um poço escondido,
parece um palácio, mas não é o meu palácio onde eu fui feliz na infância.
Caíram as lagrimas de saudade,
lembrando-me das historias que por lá passaram,
lembrando-e de um casal que teve sonhos e os realizou no amor e na partilha da vida.
Esta é uma pequena parte do meu diário de vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário