Joice Joy lins

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

SASSEVASÁ

Um dia, quando me achava em viena, no Hotel Bruck, ocorreu-me um fato curioso.
Apareceu no hotel um estrageiro, alto, de barba preta e óculos azuis, que falava um idioma desconhecido.
O dono do hotel, ao saber que euera professor de lingua na Universidade de Budapeste, pediu-me que servisse de intérprete.
Chegando á minh apresença, o estrangeiro assim falou:
- Letoh estsen otnesopa mu retbo ed airatsog.
Pro meio de gestos pediu-me que repetisse;
não havia entendido uma única palavrade sua língua.
Ele insistiu já impaciente:
-Otnesopa mu ojesed! Etnemaralc meb essid ehl áj!
Santo Deus! Que idioma seria esse que eu não conseguia compreender? Seria algum dialeto turco?
Polaco? Javanês? Estaria eu a ouvir alguma lingua internacional semelhante ao celebrado Esperanto do grande sábio Zamenhof?
Ocavalheiro percebendo, por certo, a minha indisfarçável atrapalhação, ajuntou, enégico:
- Letoh ortuo arap uov! Ednetne adan rohnes o!
E, enquanto eu procurava, ainda, recorrer aos meus conhecimentos lingüísticos, o estrangeiro retirou-se furioso, batendo com os pés.
Aquele pequeno incidente feriu a minha vaidade de poliglota profissional. Fui procurar o Dr. Stanisloff, eminente professor e consultei-o sobre o caso.
- O estrangeiro falou-lhe em calabrês - explicou-me o ilustre filósofo.
Inútil será dizer que resolvi, desde logo, estudar a fundo o calabrês; mandei buscar, em roma, vários livros, gramáticas e dicionários do dialeto falado na calábria, e iniciei meus estudos.
Algum tempo depois fui, porém, surpreendido com o seguinte notícia, publicadaem todos os jornais:
"Foi preso ontem, na porta do Hotel Bruck, um homem alto, de barba preta e óculos azuis.
Trata-se de um fucionário do Consulado protuguês, que está atacado de inventar uma nova língua internacional, pronunciando às avessas as palavras do próprio idioma."
Só então descobri o meu erro.
O tal estrageiro falava sassevasá - isto é, às avessas.

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